O Fórum no Rio de Janeiro se consolida como a principal plataforma de preparação para a Conferência do Clima, com foco em descarbonização, finanças verdes e segurança alimentar tropical
RIO DE JANEIRO – Com o encerramento da 2ª edição do RIO+AGRO – Fórum Internacional do Desenvolvimento Agroambiental Sustentável, os debates-chave e as soluções apresentadas em seus três dias de evento (1 a 3 de outubro) se tornam a espinha dorsal da contribuição do agronegócio brasileiro para a COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro de 2025.
O RIO+AGRO cumpriu seu papel de evento pré-COP, unindo ciência, política e mercado para construir uma agenda propositiva. Os painéis contaram com mais de 130 palestrantes nacionais e internacionais, além da participação de pessoas de 25 países durante os três dias do fórum.
A Voz do RIO+AGRO na COP30
O sucesso da 2ª edição do Fórum, com 24 mil participantes, alcance midiático de R$ 60 milhões e atenção de 182 países, mostra que o setor está mobilizado e pronto para assumir a liderança na Conferência do Clima. O Presidente Carlos Favoreto resumiu a missão do Fórum:
“O RIO+AGRO foi o grande laboratório de soluções para a COP30. Nossa mensagem é clara: o Brasil não vai a Belém com um chapéu de pedinte ambiental, mas sim com o título de potência que alimenta o mundo com sustentabilidade tropical. Nosso agronegócio é a solução para o desafio climático. As soluções apresentadas aqui – da bioeconomia amazônica às finanças verdes – são a prova de que é possível, e rentável, conciliar a produção de alimentos com o compromisso com o planeta. Levaremos essa agenda positiva para a mesa de negociação global.”
1. Descarbonização e Soluções de Base Tropical
O principal recado do RIO+AGRO para a COP30 é que o agro brasileiro é uma solução climática, não o problema. Os debates do Fórum focaram em:
- Saúde do Solo e ILPF: Especialistas debateram a importância de práticas como o plantio direto e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), cruciais para o sequestro de carbono e para a resiliência produtiva frente às secas e inundações.
- Bioeconomia na Amazônia: O Consórcio Amazônia Legal apresentou o potencial da bioeconomia para conciliar produção e preservação, transformando a floresta em um ativo econômico de baixo carbono.
2. Finanças Verdes e a Quebra da Dicotomia “Preservar vs. Produzir”
A agenda de Finanças Verdes, que teve participação do BNDES e grandes instituições financeiras, demonstrou que a sustentabilidade se tornou a nova métrica de risco e retorno para o capital:
- Crédito Verde: O Fórum sublinhou que a diferenciação nas linhas de crédito (como juros mais baixos e incentivos) é o motor para a rápida adoção de tecnologias ESG.
- Mercado de Carbono: O debate focou na necessidade de regulamentação para que o produtor rural possa acessar o mercado de créditos de carbono, transformando a conservação em uma nova fonte de receita.
3. Logística, Geopolítica e Segurança Alimentar
O aspecto de infraestrutura e política externa também dominou os debates, preparando a pauta brasileira para as negociações da COP30:
- Logística e Comércio: A presença do Ministério das Relações Exteriores e da PortosRio debateu a Geopolítica do Agro, destacando a urgência de infraestrutura portuária e a nova agenda de integração logística na América do Sul para escoar a produção sustentável.
- Inovação e Bioinsumos: Painéis detalharam os desafios regulatórios para que novas tecnologias, como a biotecnologia e os bioinsumos, cheguem rapidamente ao campo, garantindo a produtividade com responsabilidade ambiental.
Próximo Passo na Agenda Climática Global
Evento: COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas)
Datas: Novembro de 2025
Local: Belém, Pará, Brasil